quarta-feira, 19 de junho de 2013

Defensores da fronteira - Guaicurus serviram no Exército brasileiro, durante a Guerra do Paraguai!











  Era mesmo pedir demais que os guaicurus pendurassem as chuteiras depois do acordo de paz com os portugueses. Na verdade, com o respaldo de uma das potências que antes dificultavam sua vida, eles continuaram os ataques a índios e brancos do lado paraguaio, além de funcionar como uma espécie de patrulha de fronteira informal. Os relatos da época contam que os soldados do Forte Coimbra só conseguiram resistir a um ataque espanhol feito em 1801 graças à ajuda de um guaicuru chamado Nixinica. Conta-se que o índio estava na cidade paraguaia de Concepción, 500 quilômetros rio abaixo do forte, quando ficou sabendo dos planos contra Coimbra. Nixinica, então, teria remado sua canoa até a fortificação portuguesa e avisado seu comandante, Ricardo Franco de Almeida Serra. A informação foi crucial para preparar a defesa do forte, que escapou de ser tomado. O mesmo, contudo, não ocorreu no início da Guerra do Paraguai, em 1864. O Forte Coimbra caiu em 48 horas. Corumbá, na então província de Mato Grosso, também foi tomada rapidamente. Mas os kadiwéus conseguiram se desvencilhar do invasor e fizeram ataques constantes ao lado paraguaio da fronteira. Em 1865, por exemplo, teriam cruzado o rio Apa, entre os dois países, e saqueado a aldeia de San Salvador. Outros membros da etnia foram incorporados ao Exército brasileiro como soldados a cavalo, e sua bravura foi elogiada por cronistas da guerra, como o Visconde de Taunay. Até hoje, os descendentes dos que lutaram no conflito o recordam de forma quase mítica. “Mas o fato é que, apesar dessas narrativas heróicas, eles foram usados como bucha de canhão, assim como aconteceu com outras tribos brasileiras”, afirma Jaime Siqueira, do CTI. Os próprios relatos de Taunay sugerem isso, já que o autor afirma que os kadiwéus recebiam as missões mais perigosas.   Os índios atribuem a posse de suas terras atuais no Mato Grosso do Sul ao fato de terem lutado ao lado dos brasileiros, numa espécie de pagamento por serviços prestados. Contudo, não há documentos da época do Império que provem a existência de um compromisso semelhante entre o governo de dom Pedro II e os kadiwéus.
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Livros

Os Caduveos, Guido Boggiani, Itatiaia, 1975 - O autor, um artista italiano que se estabeleceu no atual Mato Grosso do Sul e conviveu com as tribos da área no fim do século 19, retratou os desenhos, a cerâmica e até a música dos kadiwéus (ou caduveos)

Red Gold - The Conquest of the Brazilian Indians, John Hemming, MacMillan, 1995 - Excelente apanhado dos combates entre os guaicurus e paiaguás e os brancos que invadiam seu território em busca de ouro, baseando-se nos cronistas coloniais que escreveram sobre o assunto.




Fonte:http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/irredutiveis-guaicurus-433900.shtml

Um comentário:

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