quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quem eram os Guaicurus?




  GUAICURUS - Foram os primeiros a terem contato com o homem branco, através dos espanhóis, em 1535.

  Das nações, que dominaram a região, esta foi a de maior fama, e podem ter tido como tronco principal os m'bayas, que como cavaleiros, mantiveram língua, usos e costumes semelhantes.

  Grande número de etnógrafos reuniu sob essa designação, todos os m'bayas, que podem ser tidos como tronco original, das tribos que como cavaleiros, mantiveram língua, usos e costumes semelhantes.

  O rio Paraguai passou a ser transposto pelos Guaicurus, que antes viviam na região do Chaco paraguaio e boliviano. Possuidores de índole bravia assaltava tribos sedentárias, impondo-lhes sua soberania e obrigando-as a lhes fornecer alimentos e tecidos para seu abrigo, sob pena de serem escravizados.

  Fisicamente, o Guaicuru era um povo forte, de estatura alta, viviam de caça, pesca e da lavoura de subsistência a que se dedicavam. Crentes de que constituíam um povo superior, procuravam dominar outras tribos e obrigando, estas, a fornecer-lhes alimentos e tecidos, sob pena de serem escravizados.

  Os guaicurus adquiriam seus escravos pela força, pela violência, levando à guerra permanente as tribos do Chaco. Os chamacocos eram os escravos preferidos e os mais procurados e, apesar de muito bem tratados, eram considerados de raça inferior. Quando à custa de tratados, os guaicurus foram impedidos das correrias no rio Paraguai, a obtenção de escravos tornou-se difícil. Assim entabularam relações amistosas com os chamacocos, os quais apesar da apreensão, conseguiram escravos no interior, na tribo dos tumamá, fosse pela força ou pelo comércio. Em troca os guaicurus lhes forneciam cavalos, velhos fuzis e pasta de urucum.

  O contato com os espanhóis em 1535, e o conhecimento do cavalo, modificou os hábitos desse povo. Enquanto para outras tribos o cavalo surgira como um nova caça, para o Guaicuru constituía um meio de transporte rápido e uma facilidade maior na luta contra seus inimigos, tanto que ficaram conhecidos como "índios cavaleiros".

  Tornando cavaleiro, o Guaicuru passou a constituir séria ameaça aos conquistadores espanhóis e portugueses que, cada um procurava apossar-se da região.

  Segundo o etnólogo Darcy Ribeiro, o Guaicuru transportado pelos cavalos, percorria todo o território do Pantanal, das proximidades de Cuiabá até Assunção, nas encostas andinas até as tribos do Guarani, na bacia do Paraná. nem mesmo os jesuítas conseguiram aldeá-los em suas missões reduções ou doutrinas.

  Esses indígenas impediram, de todas as maneiras as penetrações dos Pantanais, de modo que se tornaram morosas, cita-se o episódio do Forte de Coimbra em 1778. Apareceu, em frente ao forte, um grupo numeroso da tribo Guaicurus, de ambos os sexos, de maneiras pacíficas, levando animais e objetos que se propunham a trocá-los por facões e machados. O comandante os acolheu não desconfiando de nada. No meio das permutas, colocaram em prática o que haviam tramado, convidando os soldados a deitarem com suas mulheres, o que foi imediatamente aceito pelos militares. Neste meio tempo, valendo da confusão puseram-se a matar por degola ou paulada 54 homens e retiraram-se sem a perda de um só membro da tribo.

  Depois de outros incidentes de menor efeito, o Capitão-General de Mato Grosso João de Melo Pereira e Cáceres, assinou em Bela Vista, a 1 de agosto de 1791 o tratado de paz e amizade com os principais caciques Guaicurus.

  Durante a Guerra do Paraguai os Guaicurús foram de grande valia da defesa do Forte de Coimbra.

  Hoje além de estarem preservados pelas gravuras de Debret, encontra-se alguns remanescentes na Serra da Bodoquena.

  Quando o ouro de Cuiabá foi descoberto e por estas terras começaram a ser mais desbravadas os Guaicurus se aliaram aos Paiaguás, senhor quase absoluto de toda a Bacia do Paraguai.


  O século XX encontraria os Guaicurús reduzidos a meio milhar de índios, divididos em grupos espalhados pelas fazendas de criação que aos poucos invadiam seu antigo território.







Fonte: http://www.pantanalms.tur.br/tribos9.htm


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